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A produção de milho no Brasil

De Wiki Financeiro ADVFN
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A importância do milho não está apenas na produção de uma cultura anual, mas em todo o relacionamento que essa cultura tem na produção agropecuária brasileira, tanto no que diz respeito a fatores econômicos quanto a fatores sociais. Pela sua versatilidade de uso, pelos desdobramentos de produção animal e pelo aspecto social, o milho é um dos mais importantes produtos do setor agrícola no Brasil.

Elemento básico para a ração animal, além de um papel importante na alimentação humana, o milho vinha tendo no Brasil um papel de coadjuvante de outras culturas. Há décadas, era plantado junto com o café ou cultivado apenas para atender a necessidades de subsistência de pequenos produtores. Mais recentemente, com o avanço da avicultura, o milho passou a ser uma opção para os produtores de soja no inverno, dando origem à conhecida safrinha, que hoje cresce de importância a cada ano agrícola.

Conteúdo

A cultura do milho no Brasil

A produção de milho no Brasil tem-se caracterizado pela divisão da produção em duas épocas de plantio:

  • Plantios de verão (primeira safa) - plantios realizados na época tradicional, durante o período chuvoso, que varia entre fins de agosto, na região Sul, até os meses de outubro e novembro, no Sudeste e Centro-Oeste (no Nordeste, esse período ocorre no início do ano).
  • Safrinha (segunda safra) - refere-se ao milho de sequeiro, plantado em fevereiro ou março, quase sempre depois da soja precoce, predominantemente na região Centro-Oeste e nos estados do Paraná e São Paulo. Verifica-se um decréscimo na área plantada no período da primeira safra, em decorrência da concorrência com a soja, o que tem sido parcialmente compensado pelo aumento dos plantios na safrinha. Embora realizados em uma condição desfavorável de clima, os plantios da safrinha são conduzidos dentro de sistemas de produção que gradativamente são adaptados a essas condições, o que tem contribuído para elevar os rendimentos das lavouras dessa época.

A cultura do milho ocupou, em 2006, uma área em torno de 12,9 milhões de hectares, sendo responsável por uma produção de cerca de 41,3 milhões de toneladas de grãos. O rendimento atual gerado pela cultura do milho no Brasil é muito inferior ao que poderia ser obtido, levando-se em consideração o potencial produtivo da cultura no país.

A cultura do milho, tradicionalmente, aumenta sua rentabilidade e sua vantagem comparativa com outras culturas quando sua produtividade é aumentada.

A produção brasileira de milho em grãos tem dois destinos:

  • o consumo no estabelecimento rural - refere-se aquela parcela do milho que é produzida e consumida no próprio estabelecimento, destinando-se ao consumo animal em sua maior parte e ao consumo humano.
  • a oferta do produto para o mercado consumidor - tem-se fluxos de comercialização direcionados para fabricas de rações, indústrias químicas, mercado de consumo in natura e exportações.

Segundo dados do censo agropecuário de 1996, 24,93% da produção de milho é consumido na propriedade, sendo que 60,54% dos estabelecimentos realizam esta prática. Ainda são estocados nos estabelecimentos 6,32% da produção de milho, em 6,63% dos estabelecimentos que produzem este grão. Não se pode afirmar que a produção estocada na propriedade é toda consumida internamente, nem que é toda comercializada, mas pode-se dizer que este milho estocado participa dos dois tipo de destino da produção. Por outro lado, 68,75% da produção de milho é comercializada, com fluxo direcionado às vendas para cooperativas, indústrias, intermediários e diretamente aos consumidores. Apenas 32,83% dos estabelecimentos comercializam sua produção.

O estado do Paraná, com mais de 5 milhões de toneladas, é o maior produtor de milho do Brasil. Na faixa de 1 a 5 milhões de toneladas, com exceção de Rio de Janeiro e Espírito Santo, os estados do Centro-Sul do Brasil destacam-se no cultivo deste grão. A Bahia, Piauí, Maranhão e Pará têm se constituído em uma nova fronteira de produção de milho em escala comercial. No Ceará, a expansão do cultivo de milho se deve ao aumento da demanda por este produto, que foi impulsionada pelo crescimento da produção de aves no estado e no vizinho Pernambuco. Nos outros estados a produção de milho é marginal, sendo caracterizada por cultivos familiares para consumo no estabelecimento.

O milho e a alimentação de animais

Embora seja versátil em seu uso, a produção de milho no Brasil tem acompanhado basicamente o crescimento da produção animal.

Em 1978, a produção nacional de milho era de cerca de 15 milhões de toneladas/ano, enquanto que a produção de aves e de suínos era de aproximadamente um milhão de toneladas/ano.

Em 2001, a produção nacional de milho chegou a 42 milhões de toneladas/ano, enquanto que a produção de aves chegou a seis milhões de toneladas/ano e a de suínos chegou a dois milhões de toneladas/ano.

Desta forma, a tendência de crescimento da produção de milho acompanha o crescimento da produção de frangos e suínos no país, em função do milho ser o ingrediente principal na composição das rações para esses animais.

No consumo de milho destinado à produção de ração, estima-se que:

  • 51% seja direcionado ao setor avícola;
  • 33% seja direcionado à suinocultura;
  • 11% seja direcionado à pecuária, principalmente a de leite; e
  • 5% seja direcionado para os outros animais.

O consumo de milho para essa finalidade variou de 54,2% em 1996 a 72,2% em 2000, com tendência de crescimento de 11,7% ao ano. Por outro lado, a utilização do milho para fins industriais cresceu a uma taxa de apenas 1,2% ao ano. Este segmento de mercado absorve cerca de 10,9% da oferta nacional por este grão.

O Brasil e a exportação de milho

Embora o milho tenha se transformado em produto de exportação nos últimos anos, houve períodos em que o país foi obrigado a importar este cereal.

Com o uso intenso do milho para a produção de etanol nos Estados Unidos, as cotações do produto subiram acentuadamente no mercado internacional.

Estima-se que a produção anual de milho no Brasil, em duas safras, gire em torno de 50 milhões de toneladas/ano. Como o consumo interno é calculado em 39 milhões de toneladas, há um bom excedente exportável.

No ano de 2008, a exportação brasileira de milho em grãos carreou divisas no valor US$ 481,88 milhões, quatro vezes o total de 2005 (US$ 120,86 milhões). As previsões atuais são de que o País possaderá vender para o exterior 7,5 milhões de toneladas de milho, o que representaria um ingresso total de US$ 1,3 bilhão a US$ 1,4 bilhão, praticamente triplicando a receita obtida no ano de 2008. Assim, o milho firma-se como uma das principais commodities agrícolas exportadas pelo Brasil.

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